Resenha - Aqueles Cães Malditos de Arquelau

“Aqueles Cães Malditos de Arquelau”
Isaias Pessotti (Brasil) 1993
Editora 34
309 páginas
A paixão pelo conhecimento. A Paixão pelo que buscamos, por um desconhecido sedutor e incerto. Pessotti em “Aqueles Cães Malditos de Arquelau” procura nos mostrar como o homem é, em todas as instâncias, guiado pela paixão. Em Milão, no fim da década de 60, jovens pesquisadores apaixonados pela saber e pelo conhecer encontram uma antiga Vila italiana que aparenta possuir muitos segredos a desvendar. Este mote nos é apresentado apenas como um pano de fundo para as discussões que o autor nos apresenta: o que está em jogo aqui é a tensão que compõe o amor e o saber. Filosofia, Arte, Historia, Psicologia, são alguns dos temas abordados no livro, com o objetivo de apresentar a alma do pesquisador apaixonado, da sensualidade e da sedução incutidas em descobertas, na importância dos clássicos, no respeito a erudição.
Pessotti constrói seu texto apontando as relações entre o espírito humano e o saber, demonstrando como a descoberta (principalmente seu processo), a ciência, o saber, são frutos das paixões e da intempestividade do espírito humano. Neste sentido, a erudição apresentada aqui não serve per si: mas sim enquanto ação humana, fruto do gênio humano, que se constrói e se destrói durante a história de maneira continua. Deste modo, o ser humano se afirma e se nega, criando preposições para logo serem refutadas, em busca de uma verdade impossível, mas que de alguma maneira é vislumbrada de relance no trabalho intelectual. O erudito deste modo é um privilegiado, pois se permite mergulhar na alma humana em busca de seus intentos e fracassos.
Aqui não existe espaço para a hipocrisia da negação da importância do saber e do conhecimento: a “idéia” é tomada por base da sociedade (por idéias, se mata, se destrói, se constroem civilizações, se escraviza), tornando o desenvolvimento do saber (e a composição de “idéias” de saber) um processo intrínseco ao desenvolvimento do homem. Pessotti transforma a busca pelo saber em uma epopéia apaixonante, onde a cada descoberta, segue-se uma sucessão infinita de novas dúvidas. A busca do intelectual pelo saber não pode estar relegada apenas aos muros etéreos da Universidade e dos Centros de Pesquisa: o real conhecer está na capacidade que temos, a todo o momento, de criar formas e representar e apresentar questões. A verdade criada pelo homem serve apenas para ser refutada logo adiante. O saber só é saber em uma sinapse do tempo, dado nosso limite de entendimento do Universo – limite este que deve ser, a todo o momento, negado e superado.

2 Comments:
Eu é que fico honrado em colocar links para blogs de caras como você e o Marcelo que fazem textos dotados de um profundidade tremenda...
Opa! sexta a gente se entope de café enquanto discute o projeto heheheh
abraçoo
Genial post and this mail helped me alot in my college assignement. Say thank you you on your information.
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